Comparação direta
Três faixas, uma zona comum
Em chocadeiras automáticas e ventiladas, as três codornas podem trabalhar dentro de uma mesma faixa. O gráfico mostra a área de melhor sustentação para cada uma e destaca a zona compartilhada.
Faixas de temperatura no ar da chocadeira
A área verde é o ponto de partida comum para incubar as três espécies juntas
O melhor ensaio brasileiro chegou a 81,8% de eclodibilidade a 37,5 °C.
O estudo brasileiro encontrou o melhor resultado próximo de 38 °C, com pico estimado em 37,9 °C.
É a faixa usada com sucesso nos protocolos científicos disponíveis para a espécie.
Fontes do gráfico: Souza et al. (2025), Prates et al. (2025) e Nakamura et al. (2019).
A diferença decisiva
O ar e a casca não ficam iguais durante todo o ciclo
O painel mede o ar perto do sensor. No final da incubação, o próprio embrião produz calor e a casca pode ficar um pouco mais quente que o ar ao redor.
Esse comportamento é esperado pelo aumento do calor metabólico do embrião, descrito por French (1997). Em codornas japonesas, a diferença foi medida diretamente por Kansak & Aktan (2021).
O que os dados mostram
Na japonesa, 37,5 °C equilibrou velocidade e sobrevivência
O melhor estudo brasileiro controlou o efeito das máquinas: as três temperaturas foram alternadas entre três incubadoras ao longo de seis repetições.
Os ovos permaneceram a 36,0, 37,5 ou 39,0 °C até o 15º dia; depois todos foram ajustados para 37,5 °C. A faixa intermediária apresentou a maior eclodibilidade e a menor mortalidade tardia. Souza et al., 2025
Eclodibilidade da codorna japonesa
Percentual reportado para cada temperatura até o 15º dia
O calor fez os ovos nascerem primeiro, mas não trouxe o melhor resultado. A 39 °C, a eclosão começou 28 horas antes que a 37,5 °C, porém a eclodibilidade caiu e a mortalidade entre os dias 13 e 18 subiu de 4,10% para 9,53%. No frio, a mortalidade tardia foi semelhante, 9,37%.
O ensaio de 34 a 41 °C mostra o tamanho da margem de erro
Em Fortaleza, 800 ovos japoneses foram distribuídos entre temperaturas constantes de 34 a 41 °C. As melhores eclodibilidades dos ovos férteis ocorreram a 37 e 38 °C: 76,67% e 80,76%. A 34 °C nenhum ovo eclodiu; a 41 °C apenas 16,68%. As temperaturas de 39–41 °C aumentaram principalmente as mortes no final e após a bicagem. Romão et al., 2009
Na UFG, 1.200 ovos foram incubados a 36,5 ou 37,5 °C. A eclodibilidade ficou praticamente igual, perto de 76,6%, mas a temperatura de 37,5 °C adiantou a eclosão em aproximadamente 29 horas e favoreceu o desenvolvimento embrionário; por isso foi a recomendação dos autores. Pedroso et al., 2006
Outro estudo brasileiro começou todas as máquinas a 37,8 °C e, a partir do sexto dia, comparou 37,8, 38,5 e 39,5 °C. O grupo de 39,5 °C teve apenas 70,55% de eclosão, contra 81,11% a 37,8 °C, além de menor peso ao nascer. A máquina de 38,5 °C apresentou mais eclosões, mas aves mais leves e pior avaliação física; como cada temperatura ocupou uma única máquina, esse resultado não deve ser convertido em recomendação universal. Porto et al., 2021
Na codorna gigante, o melhor resultado ficou perto de 38 °C
O trabalho da UFMG avaliou 1.000 ovos. A eclodibilidade foi de 69,38% a 37,5 °C e chegou ao maior valor observado, 70,88%, a 38,0 °C. A regressão estimou o pico em 37,9 °C, sustentando a faixa de 37,5–38,0 °C usada no gráfico comparativo. Prates et al., 2025
Para a chinesa, os protocolos disponíveis convergem entre 37,5 e 37,7 °C
Uma tabela de desenvolvimento embrionário utilizou 37,7 ± 0,2 °C e registrou eclosão no 17º dia. Outros estudos de genética e armazenamento trabalharam a 37,5 °C. Eles mostram que a faixa funciona, mas não compararam temperaturas. Veja Nakamura et al. (2019), Parker et al. (2014) e Cai et al. (2019).
Diagnóstico térmico
Frio atrasa. Calor antecipa. Os dois podem matar no final
A velocidade do nascimento ajuda a identificar um desvio, mas não é suficiente sozinha: armazenamento, idade das matrizes, umidade e genética também alteram o relógio da eclosão.
Desenvolvimento lento
O embrião demora mais para completar as etapas de desenvolvimento.
- nascimento atrasado
- menor eclodibilidade
- mais mortes tardias
- efeitos no crescimento
Velocidade com sobrevivência
O objetivo não é fazer nascer o mais cedo possível, e sim maximizar aves viáveis e bem formadas.
- melhor eclodibilidade
- menor morte tardia
- janela mais previsível
Desenvolvimento acelerado
O nascimento pode adiantar enquanto a sobrevivência e a qualidade pioram.
- mortos na casca
- bicagem sem saída
- menor qualidade
- efeitos pós-eclosão
A exposição contínua a 36 °C produziu codornas japonesas adultas menores que as incubadas a 37,5 °C e alterou seu metabolismo. Ben-Ezra & Burness, 2017
No outro extremo, aquecer ovos japoneses a 39,5 °C durante 12 horas por dia, do início ao 13º dia, reduziu a eclosão, aumentou os mortos dentro da casca e elevou a mortalidade nas primeiras quatro semanas. As aves nasceram mais pesadas, mas estavam mais leves aos 25 dias. Vitorino Carvalho et al., 2020
O peso de um pintinho recém-nascido também reflete água, gema residual e o tempo que ele permaneceu na nascedoura. O julgamento deve combinar eclosão, mortalidade por fase, umbigo, vigor e desempenho posterior.
Da pesquisa para a chocadeira
Como conferir a temperatura real dentro da chocadeira
O painel mostra apenas o ponto onde está o sensor do controlador. O que importa é saber se o calor está bem distribuído na altura dos ovos.
Coloque os sensores na altura dos ovos e em posições diferentes da chocadeira, por exemplo no centro e nas laterais.
Se as três espécies estiverem juntas, comece em 37,5–37,7 °C. Se estiverem separadas, siga as faixas do gráfico comparativo.
Se os sensores mostrarem uma diferença persistente, corrija em passos pequenos de 0,1–0,2 °C e confira novamente a distribuição.
Os números deste guia vêm principalmente de máquinas automáticas e ventiladas. Em chocadeiras de ar parado, altura e posição do sensor alteram muito a leitura; não existe um fator de correção universal comprovado para codornas.
Perguntas frequentes
As dúvidas que mais aparecem depois da compra dos ovos
Qual temperatura devo usar para cada codorna?
Em chocadeira automática e ventilada: japonesa, 37,5–37,8 °C; gigante, 37,5–38,0 °C, com melhor resultado perto de 37,9 °C; chinesa, 37,5–37,7 °C.
Posso incubar japonesa, gigante e chinesa juntas?
Sim. Use 37,5–37,7 °C como ponto de partida, pois essa é a faixa que melhor se sobrepõe entre as três.
É normal a casca ficar mais quente no final?
Sim. Em um estudo com codornas japonesas, a casca ficou aproximadamente 0,5–0,9 °C acima do ar local nos dias 9–15, devido ao calor produzido pelo embrião. Kansak & Aktan (2021)
Quando desligo a rolagem, preciso diminuir a temperatura?
Não precisa ser uma redução grande. Muitos protocolos usam aproximadamente 37,0–37,5 °C na transferência, o que ajuda a lidar com o aumento do calor metabólico no final.
Fontes consultadas
Referências científicas
Foram priorizados estudos primários brasileiros e trabalhos diretamente realizados com codornas. A dissertação e o artigo de Souza correspondem ao mesmo experimento e não foram contados como dois ensaios independentes.
- Souza, A. V. de. 2021. Características de codornas japonesas provenientes de ovos incubados em diferentes temperaturas. Dissertação, UFLA. Texto integral. Publicação posterior: Souza et al. 2025, Theriogenology 236:1–7. DOI.
- Romão, J. M. et al. 2009. Incubation of Japanese quail eggs at different temperatures: hatchability, hatch weight, hatch time and embryonic mortality. Archives of Veterinary Science 14(3):155–162. DOI.
- Pedroso, A. A. et al. 2006. Desenvolvimento embrionário e eclodibilidade de ovos de codornas armazenados por diferentes períodos e incubados em umidades e temperaturas distintas. Revista Brasileira de Zootecnia 35(6):2344–2349. DOI.
- Porto, M. L. et al. 2021. Incubation variables, performance, and morphometry of the duodenal mucosa of Japanese quails submitted to different incubation temperatures and thermally challenged after hatching. Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia 73(2):495–507. DOI.
- Prates, J. V. S. et al. 2025. Effect of different temperatures on the incubation of European quail eggs. Semina: Ciências Agrárias 46(1):299–308. DOI.
- Kansak, S.; Aktan, S. 2021. Determining the effects of egg weight with incubation temperature and eggshell temperature on hatching results in Japanese quails. Turkish Journal of Agriculture–Food Science and Technology 9(1):234–240. DOI.
- Vitorino Carvalho, A. et al. 2020. Embryonic thermal manipulation has short and long-term effects on the development and the physiology of the Japanese quail. PLOS ONE 15(1):e0227700. DOI.
- Ben-Ezra, N.; Burness, G. 2017. Constant and cycling incubation temperatures have long-term effects on the morphology and metabolic rate of Japanese quail. Physiological and Biochemical Zoology 90(1):96–105. DOI.
- Nakamura, Y.; Nakane, Y.; Tsudzuki, M. 2019. Developmental stages of the blue-breasted quail. Animal Science Journal 90(1):35–48. DOI.
- Parker, H. M. et al. 2014. Selection for the parthenogenetic trait in Chinese Painted Quail affects hatchability parameters. Poultry Science 93(3):664–672. DOI.
- Cai, J. H. et al. 2019. Temperature-induced embryonic diapause in blue-breasted quail. Poultry Science 98:2977–2988. DOI.
- French, N. A. 1997. Modeling incubation temperature: the effects of incubator design, embryonic development, and egg size. Poultry Science 76(1):124–133. DOI.
