Incubação baseada em evidências

Temperatura ideal para codornas: o detalhe que o visor não mostra

Veja qual faixa usar para codornas japonesas, gigantes e chinesas — e por que a distribuição do calor dentro da chocadeira pode ser a diferença entre uma boa eclosão e uma máquina cheia de perdas.

Atualizado em 16 de agosto de 2026 Leitura de 9 minutos 12 fontes científicas primárias
A resposta rápida Faixas iniciais para máquinas automáticas e ventiladas. A calibração da sua chocadeira continua indispensável.
Japonesa 37,5–37,8 °C Melhor sustentação experimental
Gigante 37,5–38,0 °C Melhor resultado perto de 37,9 °C
Chinesa 37,5–37,7 °C Faixa usada nos estudos disponíveis

Comparação direta

Três faixas, uma zona comum

Em chocadeiras automáticas e ventiladas, as três codornas podem trabalhar dentro de uma mesma faixa. O gráfico mostra a área de melhor sustentação para cada uma e destaca a zona compartilhada.

Faixas de temperatura no ar da chocadeira

A área verde é o ponto de partida comum para incubar as três espécies juntas

Comparação das temperaturas de incubação de três codornas Japonesa de 37,5 a 37,8 graus Celsius; gigante de 37,5 a 38,0; chinesa de 37,5 a 37,7. A zona comum indicada vai de 37,5 a 37,7 graus. ZONA COMUM · 37,5–37,7 °C Japonesa Gigante Chinesa 37,5–37,8 37,5–38,0 37,5–37,7 pico 37,9 37,3 37,4 37,5 37,6 37,7 37,8 37,9 38,0 38,1 °C
Para incubar juntas: 37,5–37,7 °C Essa é a faixa compartilhada mais adequada como ponto de partida para japonesa, gigante e chinesa na mesma chocadeira.
Japonesa · 37,5–37,8 °C

O melhor ensaio brasileiro chegou a 81,8% de eclodibilidade a 37,5 °C.

Gigante · 37,5–38,0 °C

O estudo brasileiro encontrou o melhor resultado próximo de 38 °C, com pico estimado em 37,9 °C.

Chinesa · 37,5–37,7 °C

É a faixa usada com sucesso nos protocolos científicos disponíveis para a espécie.

Fontes do gráfico: Souza et al. (2025), Prates et al. (2025) e Nakamura et al. (2019).

A diferença decisiva

O ar e a casca não ficam iguais durante todo o ciclo

O painel mede o ar perto do sensor. No final da incubação, o próprio embrião produz calor e a casca pode ficar um pouco mais quente que o ar ao redor.

Esse comportamento é esperado pelo aumento do calor metabólico do embrião, descrito por French (1997). Em codornas japonesas, a diferença foi medida diretamente por Kansak & Aktan (2021).

O que os dados mostram

Na japonesa, 37,5 °C equilibrou velocidade e sobrevivência

O melhor estudo brasileiro controlou o efeito das máquinas: as três temperaturas foram alternadas entre três incubadoras ao longo de seis repetições.

Os ovos permaneceram a 36,0, 37,5 ou 39,0 °C até o 15º dia; depois todos foram ajustados para 37,5 °C. A faixa intermediária apresentou a maior eclodibilidade e a menor mortalidade tardia. Souza et al., 2025

Eclodibilidade da codorna japonesa

Percentual reportado para cada temperatura até o 15º dia

Abrir dados originais ↗
Frio: primeira eclosão em 423 hIdeal: 389 hCalor: 361 h

O calor fez os ovos nascerem primeiro, mas não trouxe o melhor resultado. A 39 °C, a eclosão começou 28 horas antes que a 37,5 °C, porém a eclodibilidade caiu e a mortalidade entre os dias 13 e 18 subiu de 4,10% para 9,53%. No frio, a mortalidade tardia foi semelhante, 9,37%.

O ensaio de 34 a 41 °C mostra o tamanho da margem de erro

Em Fortaleza, 800 ovos japoneses foram distribuídos entre temperaturas constantes de 34 a 41 °C. As melhores eclodibilidades dos ovos férteis ocorreram a 37 e 38 °C: 76,67% e 80,76%. A 34 °C nenhum ovo eclodiu; a 41 °C apenas 16,68%. As temperaturas de 39–41 °C aumentaram principalmente as mortes no final e após a bicagem. Romão et al., 2009

Na UFG, 1.200 ovos foram incubados a 36,5 ou 37,5 °C. A eclodibilidade ficou praticamente igual, perto de 76,6%, mas a temperatura de 37,5 °C adiantou a eclosão em aproximadamente 29 horas e favoreceu o desenvolvimento embrionário; por isso foi a recomendação dos autores. Pedroso et al., 2006

Outro estudo brasileiro começou todas as máquinas a 37,8 °C e, a partir do sexto dia, comparou 37,8, 38,5 e 39,5 °C. O grupo de 39,5 °C teve apenas 70,55% de eclosão, contra 81,11% a 37,8 °C, além de menor peso ao nascer. A máquina de 38,5 °C apresentou mais eclosões, mas aves mais leves e pior avaliação física; como cada temperatura ocupou uma única máquina, esse resultado não deve ser convertido em recomendação universal. Porto et al., 2021

Na codorna gigante, o melhor resultado ficou perto de 38 °C

O trabalho da UFMG avaliou 1.000 ovos. A eclodibilidade foi de 69,38% a 37,5 °C e chegou ao maior valor observado, 70,88%, a 38,0 °C. A regressão estimou o pico em 37,9 °C, sustentando a faixa de 37,5–38,0 °C usada no gráfico comparativo. Prates et al., 2025

Para a chinesa, os protocolos disponíveis convergem entre 37,5 e 37,7 °C

Uma tabela de desenvolvimento embrionário utilizou 37,7 ± 0,2 °C e registrou eclosão no 17º dia. Outros estudos de genética e armazenamento trabalharam a 37,5 °C. Eles mostram que a faixa funciona, mas não compararam temperaturas. Veja Nakamura et al. (2019), Parker et al. (2014) e Cai et al. (2019).

Diagnóstico térmico

Frio atrasa. Calor antecipa. Os dois podem matar no final

A velocidade do nascimento ajuda a identificar um desvio, mas não é suficiente sozinha: armazenamento, idade das matrizes, umidade e genética também alteram o relógio da eclosão.

Abaixo do ideal

Desenvolvimento lento

O embrião demora mais para completar as etapas de desenvolvimento.

  • nascimento atrasado
  • menor eclodibilidade
  • mais mortes tardias
  • efeitos no crescimento
Faixa equilibrada

Velocidade com sobrevivência

O objetivo não é fazer nascer o mais cedo possível, e sim maximizar aves viáveis e bem formadas.

  • melhor eclodibilidade
  • menor morte tardia
  • janela mais previsível
Acima do ideal

Desenvolvimento acelerado

O nascimento pode adiantar enquanto a sobrevivência e a qualidade pioram.

  • mortos na casca
  • bicagem sem saída
  • menor qualidade
  • efeitos pós-eclosão

A exposição contínua a 36 °C produziu codornas japonesas adultas menores que as incubadas a 37,5 °C e alterou seu metabolismo. Ben-Ezra & Burness, 2017

No outro extremo, aquecer ovos japoneses a 39,5 °C durante 12 horas por dia, do início ao 13º dia, reduziu a eclosão, aumentou os mortos dentro da casca e elevou a mortalidade nas primeiras quatro semanas. As aves nasceram mais pesadas, mas estavam mais leves aos 25 dias. Vitorino Carvalho et al., 2020

Nascer mais cedo ou mais pesado não prova que a temperatura foi melhor

O peso de um pintinho recém-nascido também reflete água, gema residual e o tempo que ele permaneceu na nascedoura. O julgamento deve combinar eclosão, mortalidade por fase, umbigo, vigor e desempenho posterior.

Da pesquisa para a chocadeira

Como conferir a temperatura real dentro da chocadeira

O painel mostra apenas o ponto onde está o sensor do controlador. O que importa é saber se o calor está bem distribuído na altura dos ovos.

Use mais de um sensor calibrado

Coloque os sensores na altura dos ovos e em posições diferentes da chocadeira, por exemplo no centro e nas laterais.

Comece na faixa mais sustentada

Se as três espécies estiverem juntas, comece em 37,5–37,7 °C. Se estiverem separadas, siga as faixas do gráfico comparativo.

Ajuste devagar

Se os sensores mostrarem uma diferença persistente, corrija em passos pequenos de 0,1–0,2 °C e confira novamente a distribuição.

Incubadora sem ventilador exige outra leitura

Os números deste guia vêm principalmente de máquinas automáticas e ventiladas. Em chocadeiras de ar parado, altura e posição do sensor alteram muito a leitura; não existe um fator de correção universal comprovado para codornas.

Perguntas frequentes

As dúvidas que mais aparecem depois da compra dos ovos

Qual temperatura devo usar para cada codorna?

Em chocadeira automática e ventilada: japonesa, 37,5–37,8 °C; gigante, 37,5–38,0 °C, com melhor resultado perto de 37,9 °C; chinesa, 37,5–37,7 °C.

Posso incubar japonesa, gigante e chinesa juntas?

Sim. Use 37,5–37,7 °C como ponto de partida, pois essa é a faixa que melhor se sobrepõe entre as três.

É normal a casca ficar mais quente no final?

Sim. Em um estudo com codornas japonesas, a casca ficou aproximadamente 0,5–0,9 °C acima do ar local nos dias 9–15, devido ao calor produzido pelo embrião. Kansak & Aktan (2021)

Quando desligo a rolagem, preciso diminuir a temperatura?

Não precisa ser uma redução grande. Muitos protocolos usam aproximadamente 37,0–37,5 °C na transferência, o que ajuda a lidar com o aumento do calor metabólico no final.

Fontes consultadas

Referências científicas

Foram priorizados estudos primários brasileiros e trabalhos diretamente realizados com codornas. A dissertação e o artigo de Souza correspondem ao mesmo experimento e não foram contados como dois ensaios independentes.

  1. Souza, A. V. de. 2021. Características de codornas japonesas provenientes de ovos incubados em diferentes temperaturas. Dissertação, UFLA. Texto integral. Publicação posterior: Souza et al. 2025, Theriogenology 236:1–7. DOI.
  2. Romão, J. M. et al. 2009. Incubation of Japanese quail eggs at different temperatures: hatchability, hatch weight, hatch time and embryonic mortality. Archives of Veterinary Science 14(3):155–162. DOI.
  3. Pedroso, A. A. et al. 2006. Desenvolvimento embrionário e eclodibilidade de ovos de codornas armazenados por diferentes períodos e incubados em umidades e temperaturas distintas. Revista Brasileira de Zootecnia 35(6):2344–2349. DOI.
  4. Porto, M. L. et al. 2021. Incubation variables, performance, and morphometry of the duodenal mucosa of Japanese quails submitted to different incubation temperatures and thermally challenged after hatching. Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia 73(2):495–507. DOI.
  5. Prates, J. V. S. et al. 2025. Effect of different temperatures on the incubation of European quail eggs. Semina: Ciências Agrárias 46(1):299–308. DOI.
  6. Kansak, S.; Aktan, S. 2021. Determining the effects of egg weight with incubation temperature and eggshell temperature on hatching results in Japanese quails. Turkish Journal of Agriculture–Food Science and Technology 9(1):234–240. DOI.
  7. Vitorino Carvalho, A. et al. 2020. Embryonic thermal manipulation has short and long-term effects on the development and the physiology of the Japanese quail. PLOS ONE 15(1):e0227700. DOI.
  8. Ben-Ezra, N.; Burness, G. 2017. Constant and cycling incubation temperatures have long-term effects on the morphology and metabolic rate of Japanese quail. Physiological and Biochemical Zoology 90(1):96–105. DOI.
  9. Nakamura, Y.; Nakane, Y.; Tsudzuki, M. 2019. Developmental stages of the blue-breasted quail. Animal Science Journal 90(1):35–48. DOI.
  10. Parker, H. M. et al. 2014. Selection for the parthenogenetic trait in Chinese Painted Quail affects hatchability parameters. Poultry Science 93(3):664–672. DOI.
  11. Cai, J. H. et al. 2019. Temperature-induced embryonic diapause in blue-breasted quail. Poultry Science 98:2977–2988. DOI.
  12. French, N. A. 1997. Modeling incubation temperature: the effects of incubator design, embryonic development, and egg size. Poultry Science 76(1):124–133. DOI.